Depois de um ano e meio de isolamento social, o avanço da vacinação contra o coronavírus reacendeu nos brasileiros o desejo de voltar a viajar. Não somente por causa dos que tiveram que adiar uma viagem já planejada (e, agora, vão poder colocar o ¨pé na estrada¨), mas também pelos que querem exorcizar todas as privações impostas pelas restrições sanitárias, o setor de turismo já vem notando um ambiente favorável de retomada dos negócios. Segundo a Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), a previsão é de que, até o segundo trimestre de 2022, o setor volte ao mesmo patamar de antes da pandemia. Mas muitos ainda se perguntam: será que é hora de voltar a viajar?

 

A resposta a essa pergunta vai depender de muitos fatores. Segundo pesquisa realizada pela Booking.com, sobre expectativa dos viajantes, 70% dos entrevistados disseram que não iriam a países que não implementaram seus próprios programas de combate à pandemia. Uma mostra de que, independentemente de qual for o destino, a principal coisa que deve ser levada em conta é a sua segurança e de sua família, embora toda a cadeia produtiva do turismo já esteja se preparando há tempos para esse momento, adotando diversos protocolos sanitários exigidos contra o coronavírus.

 

Por motivos óbvios, outra tendência nesse primeiro momento é que os viajantes deem preferência por destinos onde a natureza é a principal atração. A decisão de optar por passeios sem aglomeração encoraja muitos que ainda e têm receio sobre o tempo de imunidade proporcionado pela vacina, tema que, de fato, ainda gera muita discussão. Para incentivar ainda mais esses e outros viajantes bem menos receosos, as agências de viagens estão apostando em promoções e condições imperdíveis, ideal para minimizar o impacto provocado pela perda de renda de muitos brasileiros e pela alta do dólar, se o destino for internacional.

 

Muitos países ainda estão com as fronteiras fechadas para brasileiros, por isso, antes de escolher o destino fora do Brasil, o primeiro passo é consultar o Portal Consular do Itamaraty, onde é possível encontrar também as restrições adotadas por todas as nações. Se já tomou as duas doses da vacina, através do aplicativo Conecte SUS, do Ministério da Saúde, é possível obter o certificado digital de vacinação em português, inglês e espanhol, aceito em alguns países. Segundo a Braztoa, América Central e Caribe estão no topo de vendas do setor, com destaque para o México. Dubai e Maldivas já despontam entre os viajantes com alto poder aquisitivo. Já o Nordeste se destaca entre os brasileiros que não querem (ou não podem) sair do país.

 

Para conter o avanço da variante Delta, alguns países, como a França, que está com as fronteiras abertas para turistas totalmente imunizados, estabeleceram obrigatoriedade de um passe sanitário para frequentar lugares com mais de 50 pessoas, como museus, parques de diversão, cinemas, zoológicos, bibliotecas, discotecas e bares. O passe consiste na apresentação digital, via QR code, ou em papel, de atestado de vacinação que comprove que a pessoa teve a doença nos últimos seis meses ou um teste negativo para coronavírus. Embora o país aceite o certificado digital de vacinação emitido pelo SUS, a realização do teste deve ser bancada pelo turista para obter o passe sanitário.

 

Com tantas regras, e constantes atualizações de protocolos, o segredo para viajar com segurança nesses novos tempos é muito planejamento. Já podemos dizer que é possível viajar, mas, para evitar dores de cabeça, nunca foi tão primordial decidir consciente das restrições e de seus direitos e deveres como turista.