A taxa de câmbio nada mais é do que o valor de uma moeda em comparação com outra moeda estrangeira e sua cotação obedece, em linhas gerais, ao processo de oferta e demanda. Em se tratando do dólar, quanto maior a sua oferta no mercado nacional, o valor da moeda diminui em relação ao real. Para saber, portanto, quais fatores afetam a taxa de câmbio, é preciso analisar quais afetam essa oferta. Mas essa conta não se resume a questões meramente econômicas e pode mudar norteada por outras variáveis, razão pela qual a taxa vive oscilando de tempos e tempos.

 

O índice de inflação e a taxa básica de juros (Selic) são dois fatores econômicos que exercem grande influência sobre o câmbio. Em países com inflação alta, o poder de compra de sua população tende a diminuir, enfraquecendo diretamente a sua moeda e aumentando o valor da moeda estrangeira. Já a elevação da Selic acaba atraindo o investidor estrangeiro, que passa a enviar mais dólares para o país em forma de títulos, fundos e investimentos e, com mais oferta de dólar no mercado nacional, o valor da moeda diminui em relação ao real.

 

É sabido que o Banco Central usa a Selic como um dos principais instrumentos para baixar o dólar e controlar a inflação. Com o real valorizado, e o dólar em baixa, o preço de alguns produtos cotados na moeda americana cai, promovendo, em curto prazo, a queda da inflação.

 

As práticas comerciais de um país, leia-se acordos, políticas e investimentos no setor, também afetam diretamente o câmbio. Isso ocorre porque, se suas exportações forem maiores que as importações – balança comercial em déficit -, isso significa que a demanda pela moeda estrangeira será maior que sua oferta internamente, e que a moeda nacional sofrerá desvalorização.
A situação da dívida pública federal é outro fator que influencia a entrada ou saída de capital externo e, também tem sua importância na variação do câmbio. Visto que os empréstimos que o governo federal faz para financiar projetos do setor público estejam sendo pagos em dia, isso implica maior confiança do investidor no país e maior entrada de moeda estrangeira, valorizando a moeda nacional. Em sentido contrário, o endividamento do governo acarreta diretamente a valorização do dólar e a desvalorização do real.

 

Um ambiente favorável aos negócios tem muita influência sobre o câmbio, mas vale lembrar que ele não depende exclusivamente dos fatores listados acima. Um país com estabilidade política é fundamental para assegurar a confiança do investidor. Ano que vem, teremos uma campanha presidencial que promete muitas surpresas e um cenário difícil de prever, podendo trazer tanto a alta, como a queda ou a estabilidade do dólar. E o cenário de incertezas que ronda a economia brasileira impede uma projeção confiável a longo prazo